Como usar o Kiro: tutorial completo do zero à produção

Diagrama do fluxo do Kiro mostrando prompt, specs, tarefas e geração de código

O que você vai aprender

O Kiro é um ambiente de desenvolvimento com agentes de IA voltado a spec-driven development. Em vez de pedir código direto e revisar um resultado solto, você transforma intenção em requisitos, desenho técnico e tarefas executáveis.

Neste tutorial, o foco é uso prático: instalar, autenticar, criar o primeiro projeto com specs, configurar steering files, usar hooks, trabalhar com CLI e adotar boas práticas para reduzir retrabalho.

  • Instalar o Kiro IDE e o Kiro CLI.
  • Autenticar e validar a instalação.
  • Criar uma spec com requisitos, design e tasks.
  • Salvar padrões do projeto em steering files.
  • Usar hooks para automações recorrentes.
  • Aplicar o CLI em rotinas locais e automações.
  • Usar créditos com mais eficiência.

Instalação do Kiro

Kiro IDE

Comece pelo instalador oficial em kiro.dev/downloads. Escolha o pacote do seu sistema operacional, instale normalmente e abra o aplicativo.

No macOS, se o sistema bloquear a primeira execução, abra pelo menu de contexto. No Windows, siga o instalador. No Linux, use o pacote disponível para sua distribuição e valide a abertura pelo terminal quando necessário.

kiro

O Kiro é familiar para quem usa VS Code porque aproveita base compatível com Code OSS. Extensões, atalhos e configurações podem ser reaproveitados conforme o ambiente.

Kiro CLI

O CLI ajuda em tarefas rápidas, inspeções e fluxos headless. Use o instalador oficial quando disponível para seu ambiente:

curl -fsSL https://cli.kiro.dev/install | bash

Depois, autentique:

kiro login

Valide a instalação:

kiro --version

Primeiro projeto com specs

Para entender o fluxo, use um projeto pequeno. Uma API de tarefas é suficiente para exercitar requisitos, desenho técnico e implementação sem virar arquitetura demais.

Crie e abra o projeto

mkdir meu-projeto-kiro
cd meu-projeto-kiro
npm init -y
kiro .

Inicie uma spec

No painel de specs do Kiro, descreva o objetivo em linguagem natural. Exemplo:

Crie uma API REST de tarefas com:
- criação, listagem, atualização e remoção
- validação de campos obrigatórios
- filtro por status
- ordenação por data de criação

O ponto não é pedir “faça uma API” e aceitar qualquer diff. O ponto é forçar o agente a documentar contrato antes de escrever código.

Revise requirements, design e tasks

O Kiro organiza o trabalho em arquivos de spec. Normalmente, o fluxo passa por requisitos, desenho técnico e tarefas. Revise cada etapa antes de executar.

  • requirements.md: regras de negócio, user stories, cenários e critérios de aceite.
  • design.md: arquitetura, endpoints, modelos, integrações e decisões técnicas.
  • tasks.md: lista executável de passos, com ordem e escopo.

Edite requisitos incompletos, acrescente casos de erro e corte complexidade desnecessária. Esse é o momento barato para corrigir rota. Depois que o código existe, cada ajuste custa mais.

Execute com revisão de diff

Execute uma tarefa por vez, revise o diff e rode os checks do projeto. Se a implementação sair do combinado, volte para a spec, ajuste o contrato e só então peça nova execução.

npm test
npm run lint

Se o projeto não tiver testes ou lint, crie o menor check útil para validar o comportamento crítico antes de seguir.


Steering files

Steering files são instruções persistentes do projeto. Eles evitam repetir stack, padrões e restrições em todo prompt.

mkdir -p .kiro/steering

Exemplo de arquivo .kiro/steering/conventions.md:

# Convenções do Projeto

## Stack
- Node.js LTS
- TypeScript strict
- Express
- Prisma

## Código
- Usar async/await
- Validar entrada em endpoints
- Centralizar tratamento de erro
- Não commitar credenciais

## Git
- Commits em Conventional Commits
- Branches feature/*, fix/* e chore/*

Use steering local para regras daquele repositório. Use steering global, no diretório do usuário, apenas para preferências que valem para todos os projetos.


Hooks do Kiro

Hooks disparam automações por evento. Eles são úteis para tarefas repetitivas como atualizar testes, revisar documentação e aplicar formatação.

Quando usar hooks

  • Ao salvar arquivos de uma feature, pedir atualização do teste correspondente.
  • Ao alterar rotas de API, atualizar documentação técnica.
  • Ao criar migrations, revisar impacto em modelos e validações.
  • Ao editar arquivos Python ou TypeScript, rodar formatação e lint quando o projeto já tiver essas ferramentas.

Exemplo de hook

Nome: update-tests-on-save
Trigger: On Save
File Pattern: src/**/*.ts
Ação: quando um módulo mudar, revisar e atualizar o teste correspondente sem alterar comportamento não relacionado

Versione hooks úteis em .kiro/hooks/ quando fizer sentido para o time. Evite hooks barulhentos ou genéricos demais; automação boa reduz atrito, não cria fila de diffs irrelevantes.


Kiro CLI no dia a dia

O CLI complementa o IDE. Ele serve para conversar com o projeto, pedir análises pontuais e rodar fluxos automatizados.

Sessão interativa

cd meu-projeto
kiro chat

Use para entender arquitetura, revisar um módulo ou preparar uma alteração pequena antes de abrir uma spec maior.

Execução headless

kiro --print "Analise os erros de lint e proponha o menor diff seguro"

Fluxos headless pedem cuidado. Defina escopo, checks obrigatórios e limite de alteração. Em CI/CD, prefira análise e sugestão; aplicar mudanças automaticamente em produção de código exige governança.

Agentes especializados

Para revisões recorrentes, agentes por papel ajudam a reduzir contexto repetido. Um agente de segurança, por exemplo, pode focar em validação de entrada, credenciais hardcoded, SQL injection, XSS e permissões excessivas.


Créditos e boas práticas

Como modelos e planos mudam, evite operar com números fixos sem consultar a página oficial do Kiro. A prática que permanece é simples: use IA para reduzir retrabalho, não para gerar volume.

  • Prefira modo automático quando disponível: deixe o Kiro escolher o modelo adequado para cada tarefa.
  • Invista em specs para mudanças médias e grandes: requisitos claros economizam ciclos de correção.
  • Use hooks para rotina repetitiva: automações previsíveis não precisam virar conversa manual toda vez.
  • Quebre tarefas grandes: diffs menores são mais fáceis de revisar e corrigir.
  • Rode checks locais: agente nenhum substitui teste, lint e revisão humana.

Próximos passos

Depois do primeiro projeto, aplique Kiro em um repositório real com escopo controlado: uma rota, um job, um módulo ou uma automação interna. Comece com specs, registre steering files e só aceite diffs que passem pelos checks do projeto.

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